Alvarelhos
Censos
Em termos populacionais
o primeiro censo que se conhece é da autoria do Padre Carvalho
em 1706, dotava a freguesia de Alvarelhos de 107 fogos.
À entrada do século XX (1900), apresentava,
312 habitantes, Atingindo o seu auge na década de 50 onde atingiu 418
habitantes, depois fruto da forte emigração registou um decréscimo, para em 1980 registar
apenas 268 habitantes
:
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Alvarelhos
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Alvarelhos
Lama de Ouriço
|
Dista 11 km. da sede
do concelho.
Topónimo relativamente frequente no nosso Pais, encontra-se Alvarelhos no
norte do concelho, no seu limite ocidental com o concelho de Chaves. Deriva o
seu nome de um factor de origem geográfica - da palavra alvar, espécie
vegetal semelhante ao carvalho alvarinho, muito vulgar na Idade Média. Alguns
autores, de forma errada, tem atribuído o topónimo a alvarelhão casta de
uva tinta do Minho.
Pinho Leal denomina esta freguesia Alvarelhos a Lama d' Ouriço a conta a
seguinte história em relação à fundação da freguesia: "Próximo ao
lugar de Alvarelhos há um fortim arruinado chamado a Coroa. É tradição que
n'elle habitava um rei mouro. Ha outro sitio, entre Alvarelhos a Orcides,
chamado Valle da Batalha, onde a tradição se deram muitas batalhas aos
mouros, que eram sempre derrotados; porque S. Thiago, montado num cavallo
branco, ajudava os christãos, matando mouros sem dó nem misericórdia. Finda
a acção, se recolhia o santo cavalleiro a um valle, ao Oeste, onde depois se
fez uma capella ao dito santo, da qual hoje restam as ruínas". Trata-se
de Ruínas dum Castro, que dada a sua
importância foi já classificado oficialmente como património de interesse
público.
Os primeiros documentos escritos que se referem à freguesia de Alvarelhos
datam de meados do século XIII. Nas Inquirições de D. Afonso III (1258), o
pároco refere-se exactamente a sujeição daquela paróquia medieval:
"In pisa Vila habite unam eclissam que sedet In hereditate foraria regis
et est sufraganea de ipsa ecclesia de Batocas rationen quod ipsi homines
fecerunt illam in sua parrochia in tempore de guerras".
Esta referência
deve-se à guerra com o reino de Leão.
Estas Inquirições citam uma outra ermida existente ao tempo, que
provavelmente seria a de Sant'Iago, aquela que se descreve na lenda já
referida. A falta de coincidência temporal dos factos desmente, no entanto,
qualquer veracidade da "estória" de Pinho Leal.
Pertenceu Alvarelhos ao concelho de Monforte desde o século XIII, passando
em 1855 para o de Valpaços. Foi donatário da freguesia o conde de Atouguia a
mais tarde a coroa. No século XVII, a paróquia (erecta no século XIII) era
um curato da apresentação do vigário de Oucidres. Antes, fora do de S.
Pedro de Batocas.
Em 1706, o Pe. António Carvalho da Costa, na sua "Corographia
Portugueza", refere-se desta forma a Alvarelhos: "Lugar da
província de Trás-os-Montes, bispado de Miranda do Douro, comarca de Torre
de Moncorvo, arciprestado a termo da vila de Monforte de Rio Livre. Esta
situada em um vale, junto da Serra Negra, entre dois ribeiros que passam, um
pelo norte, outro pelo sul. consta de 60 fogos."
O pároco é cura confirmado da apresentação do vigário do Oucidres e
tem quarenta mil réis de renda. No termo a limite dente local, ha um fortim
para a parte do poente, que hoje se acha arruinado, a que chamam a Coroa. E
tradição que nele habitava um rei mouro, no tempo em que dominaram estas
terras.
Ha outro sítio entre Alvarelhos e Oucidres, a que dão o nome de vale da
batalha, por se dizer que ali houvera vários choques a batalhas entre os
cristãos a os sarracenos, ficando estes sempre vencidos e os cristãos
vencedores, ajudando-os um cavaleiro desconhecido, mas que se presumia ser o
apostolo Sant'Iago e o viam andar montado em um cavalo branco. O qual, depois
de vencidas as batalhas se recolhia para um vale, que fica ao poente do sítio
da batalha aonde se edificou uma ermida dedicada ao Santo Apostolo que hoje se
acha arruinada e só as paredes se conservam ainda em pé".
A importância que o Pe. António Carvalho da Costa atribui a Alvarelhos
demonstra só por si a importância que na Idade Moderna teve esta freguesia.
Quanto à referência ao fortim arruinado, trata-se de um castro lusitano
classificado como imóvel do interesse público. A lenda, essa será de novo
aproveitada por Pinho Leal quase dois séculos mais tarde.

Capela de S. Gonçalo
Além de Alvarelhos, a freguesia é composta pelo lugar de Lama d'
Ouriço.
Este já foi uma paróquia independente, em tempos, mas no século XIX já
não se justificava a sua existência isolada a assim foi anexada a Alvarelhos.
O curioso nome deve-se ao facto de existirem muitos animais daquela espécie
nos prédios regadios ("lama") existentes no local.
Tal como na generalidade das freguesias do concelho, a actividade principal
desta população é agricultura. Os produtos mais cultivados pelos seus
habitantes, porque os mais rentáveis neste tipo de solos, são o centeio e a
batata. É uma população que apresenta ainda permanências do passado,
nomeadamente em relação à tecelagem artesanal.
Perderam-se, no entanto, alguns traços bem característicos. O célebre gaiteiro, por exemplo era uma figura extremamente típica. Vinha muitas vezes
a Valpaços, e em especial a esta freguesia e aqui cantava e dançava com
grande alegria. Chamado para tudo o que era festas, “salsifrés e
funçanatas”, “encaixava” com prazer os remoques da população que com
satisfação o acolhia:
“Ó gaiteiro de Lama de Ouriço
Partiu-se-te a gaita, toca no guiço”.
INDICADORES
| Indicador |
Período |
Unidade |
Variação |
| 1991 |
2001 |
% |
| População
Presente HM |
211 |
171 |
indivíduos |
-19.0 |
| População
Presente H |
105 |
84 |
indivíduos |
-20.0 |
| População
Residente HM |
225 |
171 |
indivíduos |
-24.0 |
| População
Residente H |
112 |
84 |
indivíduos |
-25.0 |
| Famílias |
71 |
69 |
nº |
-2,8 |
| Alojamentos |
133 |
138 |
nº |
3,8 |
| Edifícios |
133 |
138 |
nº |
3,8 |
|
|