Vilarandelo
...mais ainda:
Folclore

com a seguinte epígrafe:
Imp. Caes. M. Opelio Seve,
Macrino Pio Fel. Invicto
Et Magno. Aug. Et. M. Opellio.
Antonino. Diadumediano No Bilissimo
Caes Principi IV
Ventutis
Tradução:
Ao Imperador César Marco Opélio Severo
Macrino pio, feliz, invencível e Magno Augusto, e a Marco Opélio
Antonino Diadumeniano, nobilissimo César, príncipe da juventude.
Esta epigrafe é
pois honorífica
Diâmetro = 56 cm
Altura Solo = 1,20 m
Censos
Em termos populacionais
o primeiro censo que se conhece é da autoria do Padre Carvalho
em 1706, dotava Vilarandelo de 152 fogos.
Um século
depois (1911), apresentava, 1280 habitantes, para em 1980 registar já
1693 habitantes
:
Veja também...
Património
Arquitectónico

Pormenor da capela-mor da Igreja
S. Vicente
Marco
Miliário
Castro
de Vilarengo/Cividade
Capela
S. Sebastião: Edificada nos fins do séc. XVI, tem
gravada no cunhal do lado esquerdo da frontaria uma curiosa inscrição
críptica
...veja ainda:
Posto
de Vigia de Vilarandelo
Ponto
de Água de Vilarandelo
Ilustres Vilarandelenses
obtendo altas condecorações
nacionais e estrangeiras por serviços prestados aos mutilados da
1ª Guerra Mundial
Secretário
Geral do 1º Comité olímpico português.
o «médico
dos pobres» que numca tinha horas e mantinha sempre aberta a porta
se sua casa, fosse para quem fosse e em que dia fosse!
O reconhecimento
do concelho está hoje perpetuado com o seu busto em Valpaços,
onde tem uma praça em sua honra e outro ainda em Vilarandelo perto
da sua residência.
Professor primário que deixou
inúmeras saudades na Terra pelo seu valioso trabalho. A escola EB23 de
Vilarandelo ostenta o seu nome numa justa homegagem |
Dista 8 km. da sede
do concelho. Vilarandelo ou «Bilharandelo» tem por orago S.
Vicente, também padroeiro de Lisboa.
0 povoamento no território desta freguesia deve
ser considerado muito anterior ao século XII, embora da falta de
documentação e a insignificância da toponímia
como abono linguistico de antiguidade não permitam fundamentar devidamente
o asserto, a que a arqueologia dá verosimilhança.
De facto, além de existir perto pelo menos um castro,
passava aqui uma das mais notáveis vias militares romanas
(Braga-Astorga),no entanto ereditos há que defendem como
mais certo tratar-se da via que se dirigia de Aquae Flavie para
o Douro, como nos referencia o autor da Monografia de Valpaços
- A. Veloso Martins - enquanto as fortificações
castrejas indicam a existência de população mais ou
menos fixa em épocas pré-romanas, a via militar, só
por si, facilitaria a crença de que as imediações
dela deviam ser naturalmente habitadas.
Já Argote se referia às ruínas
de uma antiquíssima povoação existente no alto
de um monte pouco distante deste lugar, chamado esse monte expressivamente
a Cividade. Devia
tratar-se de uma povoação tipo citânia, com seu castro.
Da estrada, escrevia o abade de Miragaia em 1886, «ainda
hoje se vê nesta povoação o dito marco
miliar inteiro e fragmentos de
outros», referindo-se ao marco miliário citado por Argote. Este marco
(fig. ao lado) conserva-se em bom estado e é dedicado ao Imperador Macrino
(217-218).
Esta arqueologia também se encontra na vizinha
freguesia de Possacos. A toponímia, apesar desta documentação
arqueológica, é pouco expressiva de antiguidade, o que talvez
se deva a despovoamento realizado por toda a província transmontana
actual antes do século XII, e ao novo povoamento deve atribuir-se
a existente, com o próprio topónimo principal, Vilarandelo.
Deve tratar-se de um derivado medieval de um curioso derivado
de «villar», isto é, villarando* (cp.
Villaranda, em Espanha), com o sufixo
*~ando, cuja raridade não é muito maior
do que a de ~aco em Possacos (ou, melhor, Poçacos) e de ~uço
(em Arcassó, ou, melhor, Arcuço), freguesia da região
transmontana e mais ou menos vizinhas desta.
A origem da povoação actual deve
estar, pois, pelos século IX-XI, em um conjunto de pequenos
«villares», núcleos de povoadores sobre si ou esses
núcleos um todo «per se», isto é, um *villarandello
(de *villarando, conjunto de villares ?).
Esta interpretação toponímica parece
justa, não só à face da linguística, mas da
forma da povoação de Vilarandelo, «que se divide
em cinco bairros (diz o abade de Miragaia, por informe directo, mas
sem qualquer interpretação do facto), ou grupos, todos em
volta da igreja matriz: Bairro do Outeiro, da Cruz, de Baixo, da Rua e
da Lavandeira ou Alevandeira, como dizem na localidade».
Precisamente cada grupo de casas ou bairro, como o autor
lhe chama, devia ter sido um pequeno «villar» de origem e o
conjunto chamar-se-ia, pois, *villarando, de onde, por serem pequenos,
*villarandelo; e daí, presumivelmente, o nome da povoação
da freguesia, que a tem única.
Da história, propriamente, da povoação,
nada se sabe, e nem sequer devido à situação intermédia,
é possível dizer rigorosamente se se incluía na «terra»
de Montenegro antes do século XIV ou XIII, se na de Monforte. Como
aparece, depois, no termo de Chaves, é de decidir pela «terra»
de Montenegro.
O lugar devia ser, pela própria origem, foreiro
à coroa, o que esta de acordo com o facto de esta região
o ser na maior parte no século XIII. A situação paroquial
inicial também é obscura, e, apesar de lhe estar assaz vizinha
a velhíssima sede paroquial de Santa Valha, não e certo que
Vilarandelo se incluísse na respectiva paroquia. De qualquer modo,
a paroquia de Vilarandelo ainda não aparece no arrolamento
paroquial de 1320-1321.
O padroado também é ignorado antes do século
XVIII em que a freguesia de S. Vicente de Vilarandelo aparece como
vigairaria da Ordem de Malta e da comenda maltesa de S. João da
Corveira, o que não significa filiação primitiva.
Nos meados do século XVIII, o vigário tinha
40 mil reis de renda anual. Os direitos da comenda devem repousar em aquisições
medievais da Ordem do Hospital. Apesar de relativamente tardia a erecção
paroquial, a
Igreja de S. Vicente já devia existir previamente, fundação
muito aceitável da Época do repovoamento por conjunto de
cinco pequenos «villares» primitivos (cada um talvez só
de uma freguesia inicial).
«Os seus templos - escreve o abade de Miragaia -
reduzem-se à Igreja Matriz e três capelas publicas. A Igreja
é bastante antiga, principalmente a capela-mor que tem um
soberbo retábulo de talha dourada» (e o facto de a capela-mor
parecer de época diversa do resto do templo indica que a igreja
pré-existiria à criação da freguesia e que
foi, depois, adaptada e aumentada).
As capelas eram as de Santo António, Espirito
Santo e S. Sebastião.
Capela
de S.Sebastião
Pequeno edifício rústico,
sem qualquer tipo de decoração, foi edificado no final do séc. XVI. A
fachada principal apresenta um pórtico constituído por uma arquivolta. No
topo apresenta o campanário.
IIP, Dec. nº 8/83 de 24-1
Diz ainda a informação daquele autor: «Tem
Vilarandelo uma boa rua, formada pela estrada real que a atravessa, um
grande campo onde se faz a feira, e um largo, o adro da matriz. Há
no termo desta paroquia uma penha colossal, denominada Penide».
Diz também que «foi esta paroquia saqueada
na noite de 15-XI-1846 pelas tropas do general conde do Casal, em seguida
ao célebre combate de Valpaços», por alturas das guerras
da Patuleia portanto.
A população desta freguesia, no escasso
século posterior a 1860, aumentou em cerca de 70 %, embora em numero
de fogos muito menos. No administrativo, nada se pode dizer do lugar antes
da passagem da «terra» de Montenegro, no século XIII,
a termo de Chaves. Foi do concelho de Chaves, devido anexação,
talvez por D. Dinis.
Para interpretação do topónimo
Vilarandelo e dedução, por ela, da presumível
origem histórica desta povoação, deve ter-se em conta
que lhe fica muito vizinha a povoação de Vilaranda Boa, na
freguesia de Friões, limítrofe desta. Não só
pelas razoes citadas, mas até pela própria morfologia, Vilarandelo
não significa povoação aparecida cerca de Vilaranda
e menor (de início) do que ela, porque devia esperar-se Vilarandela
(e não ~delo); mas a existência e vizinhança de Vilaranda
reforçam a interpretação dada: as duas povoações
devem ter tido não só principio análogo mas mais ou
menos coevo
No arraial por entre foguetes e morteiros ouve-se cantarolar:
Adeus, adeus, Bilharandelo,
Ó amor da minha vida;
Acaijo te quero tanto,
C'mo à minha mãe querida
Adeus, adeus Bilharandelo,
Quem te pôs o nome errou
És o jardim das flores,
Já de cá me não vou!
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